3º dia/2 e 4º dia – Imersão no coração medieval da Extremadura
Depois de concluir as visitas a Hervás e Granadilla, chegamos a Cáceres já no início da tarde. O trajeto entre Granadilla e Cáceres é de aproximadamente 95 quilômetros, percorridos por estradas pelo interior da Extremadura. A cidade seria nosso destino pelos dois dias seguintes, o que nos permitiu explorar com calma um dos centros históricos mais impressionantes da Espanha.
Logo após o check-in no Hotel Extremadura, deixamos as coisas no quarto e saímos imediatamente para almoçar, seguindo a pé em direção ao centro histórico. No caminho, paramos no Restaurante El Puchero Extremeño (que aliás, foi onde almoçamos nos dois dias), onde servem culinária tradicional da região. Ali, pedimos o cocido extremeño, um prato típico e reconfortante, preparado com grão-de-bico, diferentes cortes de carne suína, embutidos e legumes, cozidos lentamente até ganhar sabor e consistência. Além de delicioso, o prato tinha excelente custo-benefício.
Naquele momento, a mala ainda não havia chegado, o que nos obrigava a seguir improvisando. Felizmente, ela apareceu no dia seguinte, encerrando finalmente esse contratempo da viagem.
A partir daqui, começamos nossa imersão pela cidade monumental, que ocupa tanto a tarde desse terceiro dia quanto todo o quarto dia da viagem.
Cáceres
Cáceres é uma das cidades históricas mais impressionantes da Espanha e uma das que melhor preservaram sua herança medieval. Localizada na província homônima, na Extremadura, a cidade tem hoje cerca de 95 mil habitantes e abriga um dos conjuntos históricos mais bem conservados da Europa, reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1986.
A Cáceres romana e a Lusitânia
Antes de tudo, a história de Cáceres começa na época romana. No ano 25 a.C., os romanos fundaram a colônia de Norba Caesarina, integrada à província da Lusitânia, uma das grandes divisões administrativas do Império Romano na Península Ibérica. A cidade tinha função estratégica, ligada tanto ao controle militar quanto às rotas comerciais que conectavam o interior ao oeste peninsular. Com o passar do tempo, estruturas romanas foram reaproveitadas em fases posteriores. Por isso, ainda hoje é possível identificar elementos desse período na base de muralhas e no traçado urbano da cidade antiga.
O período islâmico e a cidade fortificada
Séculos depois, já a partir do século IX, Cáceres passou a integrar o território de Al-Andalus. Durante o domínio muçulmano, a cidade se consolidou como uma medina fortificada, cercada por muralhas, torres defensivas e portas monumentais. Grande parte desse sistema defensivo, construído entre os séculos XI e XII, permanece preservada e define até hoje a fisionomia da cidade monumental. Essa Cáceres islâmica funcionava como ponto de controle territorial e refúgio defensivo em uma região marcada por conflitos constantes.
A Reconquista cristã e a chegada da nobreza
Em 1229, Cáceres foi conquistada definitivamente pelo rei Alfonso IX, sendo incorporada aos reinos cristãos. A partir desse momento, a cidade passou por uma reorganização profunda. Terras e propriedades foram distribuídas a ordens militares e a famílias nobres, que passaram a residir dentro das muralhas. Entre os séculos XIV e XV, Cáceres viveu um período de crescimento econômico e urbano. Nesse contexto, surgiram palácios fortificados, muitos deles com torres altas, que não serviam apenas como residências, mas também como símbolos de poder e prestígio social.
Judeus em Cáceres: presença, judiaria e expulsão
Durante a Idade Média, Cáceres também teve uma importante comunidade judaica. Os judeus se estabeleceram na cidade principalmente entre os séculos XIII e XV, dedicando-se ao comércio, à medicina, à administração e a atividades artesanais. A judiaria de Cáceres localizava-se fora do recinto muralhado principal, numa área hoje conhecida como Barrio de San Antonio. Essa separação espacial seguia uma lógica comum nas cidades medievais cristãs, mas não impedia a convivência cotidiana entre cristãos, judeus e muçulmanos.
No final do século XV, a situação mudou drasticamente. Em 1492, com o decreto dos Reis Católicos, os judeus foram obrigados a converter-se ao cristianismo ou abandonar o reino. Em Cáceres, muitos deixaram a cidade; outros tornaram-se cristãos-novos, passando a viver sob vigilância da Inquisição nos anos seguintes. Esse episódio marcou profundamente a vida social e econômica da cidade.
Juana la Beltraneja, Isabel la Católica e as torres truncadas
Durante o século XV, Cáceres esteve diretamente envolvida nas disputas sucessórias do reino de Castela. Grande parte da nobreza local apoiou Juana la Beltraneja, em oposição a Isabel la Católica. Após a vitória de Isabel, a cidade sofreu represálias diretas da Coroa. Como forma de limitar o poder da aristocracia local, foi ordenada a demolição parcial de várias torres nobres. Esse episódio explica por que muitas das torres de Cáceres aparecem hoje truncadas, criando uma paisagem urbana única e carregada de significado político.
Preservação e reconhecimento
Com o passar dos séculos, Cáceres perdeu importância política e econômica. Paradoxalmente, esse declínio impediu grandes transformações urbanas, garantindo a preservação quase intacta do centro histórico. Assim, a cidade chegou ao século XX como um conjunto urbano excepcionalmente bem conservado.
Praça de São João e Igreja de São João Batista: a porta de entrada para a cidade histórica
Iniciamos a caminhada pela Praça de São João, um espaço que marca a transição entre a Cáceres moderna e a cidade histórica. Aqui se encontra a Igreja de São João Batista, cuja construção começou no século XIV e se estendeu até o século XV, já no contexto do final da Idade Média.


A igreja apresenta um claro estilo gótico, visível na verticalidade do templo e nas aberturas ogivais. Ao longo do tempo, no entanto, recebeu elementos renascentistas, sobretudo em capelas laterais e detalhes decorativos. Historicamente, este templo esteve ligado às classes populares e ao crescimento extramuros da cidade, funcionando como ponto de referência religiosa fora do núcleo fortificado original.
Arco de Santa Ana: um vestígio discreto das antigas muralhas
Pouco adiante, encontramos o Arco de Santa Ana, um dos acessos secundários da muralha cristã, construída principalmente entre os séculos XIII e XIV, após a reconquista definitiva da cidade. Embora menos monumental que outros arcos da cidade, ele cumpre um papel importante na leitura do traçado defensivo medieval.

Caminhando pelas ruas históricas: o cotidiano entre pedras e séculos
A partir daqui, seguimos por algumas das ruas mais representativas do centro histórico, como a Rua Larga (Calle Ancha), a Rua Adarve do Padre Rosalio, a Rua do Olmo e a Rua Porta de Mérida.



Essas vias seguem, em grande parte, o traçado islâmico original, adaptado após a reconquista cristã. Além disso, muitas delas funcionavam como adarves, caminhos de ronda defensiva junto às muralhas, o que explica suas curvas, desníveis e vistas estratégicas.
Praça de Santa Clara: memória conventual no coração da cidade
A Praça de Santa Clara está ligada ao antigo Convento de Santa Clara, fundado no século XVI, já em plena Idade Moderna. O convento fazia parte do movimento de expansão das ordens religiosas femininas, especialmente após o Concílio de Trento. Historicamente, esses conventos funcionavam não apenas como espaços espirituais, mas também como centros de educação e acolhimento para mulheres da nobreza e da burguesia local.

A Judiaria Velha de Cáceres: convivência, expulsão e memória
A Judiaria Velha é, sem dúvida, um dos espaços mais carregados de significado histórico da cidade. Desde o século XIII, Cáceres abrigou uma importante comunidade judaica, que chegou a contar com centenas de famílias, dedicadas sobretudo ao comércio, à medicina e à administração.
Durante os séculos XIV e XV, judeus, cristãos e muçulmanos conviveram na cidade, ainda que nem sempre de forma pacífica. No entanto, tudo mudou em 1492, com o Decreto de Expulsão dos Judeus promulgado pelos Reis Católicos. A partir desse momento, a judiaria foi esvaziada, e muitos edifícios mudaram de função.

Nesse setor visitamos também:
- Ermida de Santo Antônio – construída posteriormente sobre estruturas associadas à antiga judiaria;
- Baluarte dos Poços – parte do sistema defensivo que reforça a leitura militar da área.

Arco do Cristo: herança direta da Cáceres islâmica
O Arco do Cristo, também chamado de Porta do Rio, é o único arco de origem islâmica conservado em Cáceres. Ele foi construído no século XII, durante o domínio almóada, quando a cidade era uma medina fortificada de Al-Andalus. O arco de ferradura e a sobriedade da estrutura revelam claramente essa origem muçulmana. Além disso, ele conduzia à antiga ponte sobre o rio, ligando a cidade a rotas comerciais e agrícolas.

Praça de São Mateus e Igreja de São Mateus: poder, fé e nobreza
A Praça de São Mateus é uma das mais elegantes da cidade monumental. Dominando o espaço está a Igreja de São Mateus, construída entre os séculos XIV e XVI, em estilo gótico, com acréscimos renascentistas, erguida sobre uma antiga mesquita. Este foi um setor claramente ligado à nobreza local. Não por acaso, vários palácios senhoriais se alinham ao redor da praça, revelando o poder das famílias que disputavam influência em Cáceres durante a Baixa Idade Média.
No interior, o templo surpreende pelo contraste entre a sobriedade arquitetônica e a riqueza artística, destacando-se o retábulo barroco do século XVIII, de grande monumentalidade, com fina talha em madeira e imagens devocionais.


Praça das Veletas: água, arqueologia e continuidade histórica
A Praça das Veletas marca um dos pontos mais antigos da cidade monumental. Aqui fica o Palácio de las Veletas, edifício de origem medieval que hoje abriga o Museu de Cáceres. Embora não tenhamos visitado o museu por dentro, não podemos ignorar a importância do mesmo, pois no subsolo encontra-se um aljibe andalusino, construído entre os séculos XI e XII, durante o período muçulmano. Trata-se de uma grande cisterna subterrânea, formada por naves com arcos de ferradura, que garantia o abastecimento de água da antiga medina em tempos de cerco.

Praça de São Jorge, coração simbólico da Cáceres medieval
A partir daqui, a visita entra definitivamente no núcleo mais monumental e simbólico de Cáceres. A Praça de São Jorge é, sem dúvida, um dos espaços mais impressionantes da cidade antiga, tanto pela sua cenografia urbana quanto pelo peso histórico que carrega. Durante a Idade Média, este setor concentrava poder religioso, nobreza e defesa militar, algo que ainda hoje se percebe no desnível do terreno, nas escadarias e na imponência dos edifícios. Não por acaso, estamos em uma área que foi essencial durante os séculos de conflitos entre cristãos e muçulmanos, e posteriormente no período de consolidação do poder cristão após a Reconquista.

Igreja de São Francisco Xavier
Dominando visualmente a praça, a Igreja de São Francisco Xavier, construída no século XVIII, é um dos melhores exemplos do barroco religioso em Cáceres. A igreja pertenceu à Companhia de Jesus, ordem que teve forte presença na cidade até a expulsão dos jesuítas da Espanha em 1767. A fachada branca, ladeada por duas torres cilíndricas, contrasta com a sobriedade medieval do entorno, criando um efeito visual marcante.

Jardins de Doña Cristina de Ulloa
Logo ao lado, os Jardins de Doña Cristina de Ulloa funcionam como um pequeno respiro verde em meio ao conjunto monumental. Criados no século XX, ocupam um espaço que anteriormente fazia parte das estruturas defensivas da cidade.

Praça dos Golfines e a nobreza cacerenha
Seguindo o percurso, chegamos à Praça dos Golfines, cercada por alguns dos palácios mais importantes da nobreza local. Esta área reflete o período de maior esplendor econômico de Cáceres, especialmente entre os séculos XV e XVI, quando muitas famílias enriqueceram graças a cargos administrativos, alianças políticas e, mais tarde, à ligação com a América. Aqui, a arquitetura deixa claro o desejo de ostentação e afirmação social, com fachadas robustas, brasões heráldicos e elementos defensivos que ainda lembram tempos de instabilidade.

Concatedral de Santa Maria: centro religioso de Cáceres
A Concatedral de Santa María é o principal edifício religioso e simbólico da Cidade Monumental de Cáceres. Sua construção teve início no século XIII, logo após a conquista cristã definitiva de Cáceres em 1229, erguida sobre estruturas anteriores de época islâmica. Arquitetonicamente, o templo apresenta uma interessante combinação de românico tardio e gótico, resultado das várias fases construtivas que se estenderam entre os séculos XIII e XV. A sobriedade exterior contrasta com a importância institucional do edifício, reforçada pela sua torre sineira de caráter defensivo, que funcionava também como ponto de vigilância.
Apesar de toda essa importância histórica e artística, acabamos não visitando o interior da concatedral. No momento da visita, achamos o valor do ingresso relativamente caro, especialmente considerando a quantidade de monumentos e igrejas que já havíamos visitado.
Em frente ao templo abre-se a Praça de Santa María, um dos espaços mais emblemáticos de Cáceres. Ao seu redor alinham-se palácios senhoriais e edifícios institucionais. Também, chama atenção a estátua de San Pedro de Alcántara, santo estremenho e figura central da espiritualidade franciscana na Extremadura.


Praça Maior, vida urbana e poder popular
Descendo em direção à parte baixa, chegamos à Praça Maior, verdadeiro coração social de Cáceres desde a Idade Média. Ao longo dos séculos, este espaço funcionou como mercado, local de celebrações, proclamações públicas e até execuções. Um dos edifícios mais importantes da praça é a Prefeitura de Cáceres, sede do governo municipal. Hoje, a praça continua sendo o ponto de encontro da cidade, cercado por cafés, bares e edifícios históricos. De fato, aqui sentamos em alguns bares para tomar umas cervejas, tapas e descansar um pouco.

Torre de Bujaco e muralhas
Na Praça Maior se destaca a Torre de Bujaco, uma construção de origem islâmica, datada do século XII, posteriormente integrada ao sistema defensivo cristão. Seu nome está ligado à derrota dos cristãos na Batalha de Alarcos (1195), e a torre teve papel fundamental na defesa da cidade. Subir à torre permite compreender melhor o traçado das muralhas, que cercam a cidade antiga e são uma das razões pelas quais Cáceres foi declarada Patrimônio Mundial da UNESCO.


Arco da Estrela: a grande porta de entrada da Cáceres monumental
O Arco da Estrela é, hoje, o acesso mais emblemático à Cidade Monumental de Cáceres. Localizado entre a Praça Maior e o núcleo medieval, ele marca a transição simbólica entre a cidade baixa e o espaço murado, onde se concentravam o poder religioso, nobre e militar.
A porta original que existia aqui era medieval, provavelmente do século XIII, logo após a conquista cristã definitiva da cidade em 1229. No entanto, essa estrutura antiga era estreita e pouco prática. Com o tempo, tornou-se insuficiente para o tráfego de carruagens e para a nova dinâmica urbana. Por isso, no século XVIII, o arco foi reconstruído por ordem do bispo Francisco de Sande y Arce, que também mandou erguer o Palácio Episcopal, localizado logo ao lado. A reforma deu ao arco a forma que vemos hoje, com linhas mais amplas e elegantes, típicas do período barroco tardio.

Acima do arco, destaca-se a imagem da Virgem da Estrela, padroeira da cidade, esculpida em mármore. Essa presença reforça a ideia, muito comum na época, de associar proteção divina às entradas da cidade, especialmente em locais estratégicos de defesa. Além da função simbólica, o Arco da Estrela também teve papel militar. Ele integrava o sistema defensivo das muralhas e funcionava como ponto de controle de acesso, permitindo vigiar quem entrava e saía da cidade murada.
Nos últimos anos, o Arco da Estrela ganhou projeção internacional ao aparecer na série Game of Thrones. O local foi usado como cenário para representar uma das áreas da cidade de King’s Landing, capital dos Sete Reinos.
Foro dos Balbos: a herança romana de Cáceres
O Foro dos Balbos é um dos pontos que melhor revela as raízes romanas de Cáceres, muito anteriores à cidade medieval. Localizado junto à Praça Maior, este espaço funciona como uma ponte simbólica entre a antiga Norba Caesarina e a Cáceres atual.
Durante o período romano, Cáceres integrava a província da Lusitânia, cuja capital era Augusta Emerita (a atual Mérida). Embora Norba Caesarina não tenha alcançado o mesmo protagonismo de Mérida, ela ocupava uma posição estratégica na rede de cidades romanas do oeste peninsular, ligada por vias que conectavam o interior à rota do rio Tejo.
O Foro dos Balbos recorda esse passado romano por meio de sua denominação e da organização do espaço, inspirada nos fóruns clássicos, centros administrativos, políticos e comerciais das cidades romanas. O nome faz referência à família Balbo, de origem hispano-romana, ligada à elite de Cádis (Gades) e à administração imperial, simbolizando a presença do poder romano na região.

Adarve de Santa Ana: um percurso junto às muralhas
A Calle Adarve de Santa Ana acompanha um dos trechos das muralhas medievais de Cáceres e funciona como um caminho elevado junto ao sistema defensivo da cidade. Assim, o termo adarve designa justamente o corredor de circulação sobre ou ao longo das muralhas, utilizado originalmente para vigilância e deslocamento dos defensores. Hoje, a rua preserva esse traçado histórico e permite observar de perto a estrutura das muralhas, além de oferecer vistas interessantes sobre o casario do entorno e áreas externas do recinto amuralhado.


Praça dos Caldereros: palácios, ofícios e memória urbana
A Praça dos Caldereros guarda um nome que remete diretamente aos antigos ofícios artesanais exercidos nesta área. Os caldereros eram artesãos especializados em trabalhar o metal, especialmente cobre e bronze, produzindo utensílios essenciais para a vida doméstica e rural. Durante a Idade Média e o início da Idade Moderna, esta praça funcionou como um pequeno polo de atividades ligadas ao artesanato urbano. Com o tempo, porém, o espaço também passou a atrair famílias nobres, o que explica a presença de edifícios senhoriais.
Entre eles, destaca-se o Palácio de la Generala, uma construção de origem medieval que foi sendo adaptada ao longo dos séculos. Ao lado, a Casa dos Ribera reforça o caráter aristocrático que a praça adquiriu a partir do século XV, quando a nobreza passou a ocupar áreas antes ligadas ao trabalho artesanal.

Igreja de Santiago: fé, poder e memória medieval em Cáceres
A Igreja de Santiago é um dos templos mais antigos e simbólicos de Cáceres. Sua origem remonta ao século XIII, logo após a conquista cristã definitiva da cidade, em 1229. O templo está dedicado a São Tiago, figura central da Reconquista cristã e símbolo do poder religioso associado à expansão dos reinos cristãos na Península Ibérica. Não por acaso, igrejas dedicadas ao apóstolo surgiram com frequência em cidades recém-conquistadas, funcionando também como instrumentos de afirmação política e espiritual.
Do ponto de vista arquitetônico, a Igreja de Santiago apresenta uma combinação de românico tardio e gótico inicial, refletindo as várias fases de construção e reforma ao longo dos séculos. A fachada é sóbria, mas robusta, enquanto o interior mantém uma atmosfera austera, típica dos templos medievais ligados às primeiras comunidades cristãs de Cáceres.


Além das funções litúrgicas, ela esteve ligada a confrarias e a famílias nobres que contribuíram para sua manutenção, deixando marcas na forma de capelas laterais, túmulos e doações. Com o passar do tempo, e especialmente após o crescimento da cidade fora das muralhas, a Igreja de Santiago passou a atender uma população mais ampla, consolidando-se como referência espiritual também para a cidade baixa.
Encerrando os dois dias em Cáceres
As visitas descritas neste post aconteceram ao longo de dois dias em Cáceres. Ainda assim, optei por reunir tudo em um único texto para deixar a informação mais bem estruturada. Ao final de cada dia, voltamos ao Hotel Extremadura para descansar. Por fim, a saga da bagagem chegou ao fim: a mala apareceu, permitindo retomar a viagem com mais tranquilidade.
No dia seguinte, após o café da manhã, deixaríamos Cáceres para seguir rumo a Trujillo, dando continuidade ao nosso road trip pela Extremadura.
Conheça o resto de nossa aventura por Extremadura nos links abaixo:
