5º dia/2 – Medellín, berço de Hernán Cortés
Seguimos no quinto dia da viagem pela Extremadura. Após a visita a Trujillo, retomamos a estrada no período da tarde em direção a Medellín, localizada a cerca de 46 km. Com esse deslocamento, deixamos a província de Cáceres e entramos oficialmente na província de Badajoz. A curta viagem marca também uma transição simbólica dentro da região, conectando as duas províncias da Extremadura, ambas profundamente ligados ao passado romano e à expansão espanhola na América.
Medellín
Medellín é um município da província de Badajoz, situado na comarca de Vegas Altas, às margens do rio Guadiana. Com uma população aproximada de 2.237 habitantes, a localidade apresenta uma economia fortemente ligada à agricultura de regadio. Apesar de seu reduzido tamanho atual, Medellín ocupa um lugar de grande relevância histórica na Extremadura, tanto pela sua origem romana quanto por seu papel durante a Idade Média e, sobretudo, por ser o local de nascimento de Hernán Cortés, conquistador do México.
A Medellín romana: Metellinum e o vale do Guadiana
A origem de Medellín remonta à Antiguidade romana. A cidade foi fundada por volta de 79 a.C. pelo cônsul Quintus Caecilius Metellus Pius, recebendo o nome de Metellinum, em referência ao seu fundador. Nesse sentido, a localização estratégica, junto ao rio Guadiana e próxima a Emerita Augusta (Mérida), favoreceu sua integração à rede viária romana. A ocupação romana estava fortemente associada à exploração agrícola das férteis vegas do Guadiana, dessa forma se explica a densidade de assentamentos rurais ao redor do núcleo urbano.
O domínio islâmico
Após o fim do Império Romano, Medellín manteve certa importância durante o período visigodo. Com a ocupação muçulmana, as forças islâmicas reconheceram rapidamente o valor estratégico do local. Assim, reconstruíram a antiga fortificação romana situada no alto do morro.
Reconquista cristã e organização medieval
A reconquista cristã ocorreu no século XIII. Inicialmente, Medellín foi tomada em 1227 por Alfonso IX de León. No entanto, a incorporação definitiva só se consolidou em 1234, sob o reinado de Fernando III. Após a conquista, Medellín tornou-se uma Comunidade de Villa y Tierra de realengo. Dessa forma, passou a exercer um papel estratégico entre os territórios das ordens militares de Alcántara e de Santiago. Nesse período, a população concentrava-se nas encostas do castelo. Ali surgiram as primeiras igrejas paroquiais, como Santiago e San Martín, construídas a partir do século XIII.
Medellín e a expansão ultramarina
O século XVI marcou o momento de maior projeção histórica de Medellín. A cidade contribuiu de forma expressiva para a colonização da América. Estima-se que cerca de 280 habitantes partiram para o Novo Mundo. O personagem mais conhecido é Hernán Cortés, nascido em Medellín em 1485. Foi ele o responsável pela conquista do Império Asteca. Seu protagonismo projetou o nome da cidade para além da Península Ibérica. Além de Cortés, outros naturais de Medellín participaram da administração colonial espanhola. Como resultado, o nome da cidade foi levado a diferentes regiões americanas. Assim surgiram novas Medellíns, como a da Colômbia.
Durante esse período, o núcleo urbano começou a se deslocar. Aos poucos, a população abandonou as encostas do castelo. A cidade passou então a ocupar áreas mais planas, refletindo o declínio da função defensiva medieval.
Praça de Hernán Cortés: o núcleo central de Medellín
A Plaza de Hernán Cortés é o principal espaço público de Medellín. Desde a Idade Moderna, a praça funciona como centro simbólico e urbano do município. No centro da praça destaca-se a estátua de Hernán Cortés, personagem mais célebre nascido em Medellín. O monumento homenageia o conquistador do México e reforça a ligação direta da vila com a expansão espanhola na América. A escultura representa Cortés em atitude solene, enfatizando seu protagonismo histórico no século XVI. Ao mesmo tempo, o monumento estabelece um diálogo visual com o castelo medieval, situado no ponto mais elevado da cidade.


Foi também na praça onde se localizava a casa onde Hernán Cortés viveu em Medellín. Atualmente, restam apenas ruínas, que permitem identificar a área associada à sua residência. Hernán Cortés nasceu em Medellín em 1485, no seio de uma família de fidalgos locais. Ainda jovem, partiu para a América, onde lideraria a conquista do Império Asteca, alterando de forma profunda a história do México e do império espanhol.
Igreja de Santa Cecília e Igreja de San Martín: a reorganização religiosa da Medellín medieval
A Igreja de Santa Cecília é o principal templo religioso de Medellín na atualidade. Sua construção teve início entre os séculos XIII e XIV, logo após a consolidação do domínio cristão no vale do Guadiana. O edifício apresenta uma arquitetura sóbria, típica das igrejas paroquiais da Extremadura medieval. Predominam formas simples, com elementos góticos iniciais, adaptados a sucessivas reformas ao longo dos séculos. Progressivamente, o núcleo habitado deslocou-se das encostas do castelo para áreas mais planas. Nesse processo, Santa Cecília passou a ocupar um papel central na vida religiosa da comunidade.

A Igreja de San Martín é outro dos templos históricos de Medellín. Sua origem remonta também ao período medieval, estando ligada aos primeiros momentos de organização cristã da vila após a Reconquista. Originalmente, San Martín situava-se mais próxima ao antigo núcleo fortificado. Dessa forma, atendia à população que vivia nas imediações do castelo, quando a função defensiva ainda era determinante para a organização urbana. Com o passar do tempo, e à medida que a cidade se expandia para zonas mais baixas, a igreja perdeu protagonismo. Ainda assim, permaneceu como um importante marco da Medellín medieval.

Castelo de Medellín: domínio visual e memória histórica da vila
O Castelo de Medellín ocupa o ponto mais elevado da cidade e domina visualmente todo o vale do Guadiana. Sua posição estratégica explica a importância defensiva do local ao longo dos séculos. A fortaleza tem origem islâmica. Foi construída entre os séculos IX e X, quando Medellín fazia parte de Al-Andalus. Posteriormente, após a Reconquista cristã, o castelo foi mantido e adaptado.

Chegamos ao castelo quase no horário de fechamento. Ainda assim, conseguimos comprar o ingresso e realizar a visita. Atualmente, o castelo abriga uma exposição permanente, instalada principalmente nas torres. A mostra apresenta informações históricas sobre a cidade, o período medieval e a ocupação do território.
Do alto das muralhas, é possível observar claramente o Teatro Romano de Medellín. De fato, o teatro é um dos principais vestígios da cidade romana de Metellinum. Sua construção remonta ao final do século I a.C., período de consolidação da presença romana no vale do Guadiana.

Também se destaca a Igreja de Santiago, ligada à fase medieval cristã da vila. Sua construção ocorreu entre os séculos XIII e XIV, logo após a consolidação da Reconquista no território. Sua localização próxima ao castelo revela uma relação direta com o antigo núcleo fortificado.

Infelizmente, apesar da proximidade, não tivemos tempo de entrar em nenhum desses dois monumentos. Na descida, passamos pelo letreiro de Medellín, instalado em um ponto estratégico para fotos. Como curiosidade, ali encontramos visitantes colombianos, naturais da Medellín. Eles viajavam pela Extremadura justamente para conhecer a cidade homônima espanhola.

Encerrando a visita em Medellín
Com isso, encerramos a visita a Medellín. Embora breve, a passagem pela cidade foi muito interessante e ajudou a compreender seu peso histórico na Extremadura. Em seguida, pegamos o carro e seguimos em direção a Mérida, capital da Extremadura, também situada na província de Badajoz, a cerca de 35 km de Medellín. Chegamos diretamente ao Hotel Zeus, onde nos hospedamos e descansamos, preparando-nos para dedicar o dia seguinte à visita de Mérida.
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