O Japão, um arquipélago fascinante no leste da Ásia, encanta não apenas por sua cultura milenar, mas também por suas paisagens impressionantes. Localizado no Oceano Pacífico, o país é conhecido mundialmente como a Terra do Sol Nascente, pois seu nome significa “Origem do Sol”. Além disso, sua geografia e sua história moldaram uma identidade única, que atrai milhões de visitantes todos os anos.
Composto por 6.852 ilhas, o Japão tem um território dominado por quatro grandes massas de terra: Honshu, Hokkaido, Kyushu e Shikoku. Juntas, essas ilhas representam cerca de 97% da área total do país, concentrando a maior parte da população e das cidades mais importantes. Além disso, sua geografia é marcada por extensas cadeias de montanhas e vulcões ativos, criando cenários naturais de tirar o fôlego.
Entre suas formações mais emblemáticas, destacam-se os Alpes Japoneses, uma cadeia montanhosa espetacular que corta a ilha de Honshu. No entanto, o grande símbolo natural do Japão é, sem dúvida, o Monte Fuji. Com seus imponentes 3.776 metros de altura, ele não apenas domina a paisagem, mas também carrega um profundo significado cultural e espiritual para o povo japonês. Por essa razão, foi reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO, reforçando sua importância histórica e turística.
Tóquio e os grandes centros urbanos
Atualmente, o Japão abriga aproximadamente 126 milhões de habitantes, o que o coloca como o 11º país mais populoso do mundo. Entretanto, sua distribuição populacional é extremamente concentrada em grandes centros urbanos. Nesse sentido, a Região Metropolitana de Tóquio se destaca como a maior metrópole do planeta, reunindo mais de 37,4 milhões de pessoas. Por esse motivo, Tóquio não é apenas o coração econômico e cultural do país, mas também um dos lugares mais dinâmicos do mundo. Além da capital, outras cidades como Osaka, Kyoto, Yokohama e Fukuoka desempenham papéis fundamentais na economia e na cultura japonesa, cada uma com características únicas e um charme próprio.
Japão no cenário internacional
O Japão se destaca não apenas por sua história e modernidade, mas também por oferecer um dos mais altos padrões de vida do mundo. Com uma infraestrutura impecável, serviços de qualidade e um sistema de saúde de excelência, o país lidera rankings globais de bem-estar. Além disso, apresenta a maior expectativa de vida do planeta e uma das menores taxas de mortalidade infantil, reflexos diretos do seu desenvolvimento e da sua cultura de cuidados com a saúde.
No cenário internacional, o Japão exerce uma influência notável. Como membro do G7 e do G20, o país está entre as maiores economias globais, contribuindo significativamente para o comércio, a tecnologia e a inovação. Portanto, sua presença é indispensável nos grandes debates econômicos e políticos que moldam o futuro do mundo.


A fascinante história do Japão: de suas origens à modernidade
Os primeiros habitantes e o desenvolvimento da Cultura Jomon
Os primeiros grupos humanos chegaram ao Japão durante o Paleolítico Superior, em uma época em que istmos naturais conectavam o arquipélago ao continente asiático. Por volta de 13.000 a.C., com o início do Período Jomon, os habitantes locais começaram a produzir cerâmica rudimentar, considerada uma das mais antigas do mundo. Além disso, desenvolveram um estilo de vida baseado na coleta, caça e pesca, criando assentamentos que demonstravam um início de organização social.
O avanço tecnológico no Período Yayoi
A partir de 300 a.C., o Período Yayoi trouxe mudanças significativas. A introdução da agricultura e do ferro transformou profundamente a sociedade, promovendo a transição de comunidades nômades para sociedades agrícolas organizadas. Nesse contexto, a cultura do arroz chegou ao Japão, acompanhada de influências culturais e tecnológicas vindas da China e da Coreia. Como resultado, surgiram aldeias mais estruturadas e a estratificação social começou a se consolidar.
A chegada do Budismo e a centralização do poder
O Período Asuka (538 – 710) marcou outro grande salto na história do Japão. A introdução do budismo, promovida pela elite governante, trouxe novas ideias religiosas e filosóficas que moldaram a identidade do país. Ao mesmo tempo, conceitos confucionistas e o sistema de escrita chinês passaram a fazer parte da administração estatal. Por isso, as Reformas Taika (645) foram implementadas, centralizando o poder sob o imperador e redistribuindo terras, em um modelo administrativo inspirado na China.
A consolidação do Japão e o florescimento cultural
No ano 710, o Japão estabeleceu sua primeira capital permanente em Nara. No entanto, logo depois, a capital foi transferida para Kyoto, onde permaneceu por mais de mil anos. Durante o Período Heian (794 – 1185), a cultura japonesa floresceu, resultando na criação das sílabas kana, um sistema de escrita próprio que diferenciava o Japão da China. Além disso, surgiram grandes obras literárias, como O Conto de Genji, considerado o primeiro romance do mundo.
O surgimento dos samurais e os conflitos feudais
O ano de 1192 marcou uma reviravolta política com o estabelecimento do primeiro xogunato, em Kamakura, sob a liderança do clã Minamoto. A partir desse momento, os samurais se tornaram a classe dominante, exercendo um papel crucial no governo do país.
No Período Muromachi (1333 – 1573), o Japão entrou em uma era de descentralização política, onde os daimyos (senhores feudais) passaram a disputar territórios. Como consequência, o país mergulhou em conflitos internos, com diversas guerras entre clãs rivais pelo controle do poder.
A unificação e o período de isolamento
Após décadas de guerras civis, três líderes militares conseguiram unificar o Japão: Oda Nobunaga, Toyotomi Hideyoshi e Tokugawa Ieyasu. Finalmente, em 1603, Tokugawa Ieyasu estabeleceu o Xogunato Tokugawa, marcando o início de um período de isolamento quase total do mundo exterior. Com isso, o Japão conseguiu preservar sua cultura e manter uma economia interna próspera, mas permaneceu fechado às influências estrangeiras por mais de 250 anos.
A Restauração Meiji e a modernização do Japão
O século XIX trouxe mudanças radicais. Em 1868, a Restauração Meiji marcou o fim do xogunato, restaurando o poder do imperador e iniciando um período de rápida modernização. Inspirado em modelos ocidentais, o Japão reformulou seus sistemas educacional, militar e industrial, transformando-se em uma potência emergente na Ásia. Graças a essa modernização acelerada, em poucas décadas, o Japão passou a competir de igual para igual com as nações ocidentais.
Segunda Guerra Mundial e o Pós-Guerra
O Japão continuou sua expansão territorial ao longo das décadas seguintes. Entretanto, sua participação na Segunda Guerra Mundial teve consequências devastadoras. Após anos de conflitos, o país enfrentou a derrota definitiva com os bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki, em 1945. Como resultado, o Japão se rendeu e entrou em um período de ocupação americana, que trouxe uma nova Constituição pacifista e um modelo político democrático.
No entanto, o Japão não demorou a se reerguer. Nas décadas seguintes, o país investiu em tecnologia, inovação e reconstrução econômica, tornando-se uma das maiores potências industriais do mundo. Hoje, o Japão continua a ser um dos países mais influentes no cenário global, combinando tradição e modernidade de maneira única.
Castelos: símbolos da história e poder no Japão
Desde tempos antigos, os castelos no Japão desempenharam um papel essencial na proteção de territórios e populações. Inicialmente, essas fortalezas eram construídas como estruturas defensivas, garantindo segurança contra invasões e disputas locais. Entretanto, sua importância cresceu significativamente durante o século XV, quando o Japão mergulhou na caótica Era dos Estados em Guerra (Sengoku Jidai).
O papel estratégico dos castelos durante a Era Sengoku
Nesse período turbulento, o governo central perdeu força, e o país foi fragmentado em dezenas de pequenos estados independentes, conhecidos como daimyatos. Dessa forma, os daimyos (senhores feudais) começaram a construir castelos de montanha para proteger seus territórios e garantir vantagem estratégica. A altitude dessas fortificações proporcionava um excelente ponto de observação, dificultando ataques inimigos e fortalecendo a defesa.
A transformação dos castelos com a unificação do Japão
No final do século XVI, a unificação do Japão foi liderada por Oda Nobunaga e concluída por Toyotomi Hideyoshi. Com isso, a função dos castelos passou por uma grande transformação. Além de estruturas militares, eles passaram a ser símbolos de autoridade e poder central. Nesse contexto, os castelos deixaram de ser construídos exclusivamente no topo de montanhas e passaram a ocupar planícies ou colinas baixas, permitindo maior integração com as cidades ao redor.
Com essa mudança, surgiram as “cidades-castelo”, centros administrativos e militares organizados em torno das fortalezas. Assim, os castelos não apenas garantiam segurança, mas também desempenhavam um papel fundamental no desenvolvimento urbano e econômico da região.
Cidades que cresceram a partir de castelos
Diversas cidades japonesas modernas têm suas raízes nesses antigos castelos. Tóquio, por exemplo, começou como uma cidade-castelo em torno do Castelo Edo, que mais tarde se tornou a sede do governo Tokugawa. Kanazawa, outro exemplo notável, ainda preserva elementos históricos desse período, mantendo a essência de sua organização original.
A destruição dos castelos e sua preservação atual
Após o fim da era feudal em 1868, com a Restauração Meiji, muitos castelos foram demolidos por serem considerados símbolos do passado feudal. Além disso, durante a Segunda Guerra Mundial, diversos castelos foram destruídos por bombardeios aéreos, resultando em uma grande perda do patrimônio histórico.
Hoje, apenas cerca de uma dúzia de castelos originais permanecem intactos, ainda com suas torres de menagem (tenshu) que datam da era feudal. Entre eles, destacam-se o Castelo de Himeji, o Castelo de Matsumoto e o Castelo de Matsue, que continuam a ser testemunhas vivas da rica história do Japão.
O Imperador: símbolo de unidade e tradição no Japão
Segundo a mitologia japonesa, o primeiro imperador do Japão, Imperador Jimmu, era descendente direto da Deusa do Sol Amaterasu. De acordo com as tradições, ele foi entronizado no ano 660 a.C., marcando o início da linhagem imperial japonesa. Desde então, acredita-se que os imperadores governam o país há mais de 1.500 anos, pertencendo todos à mesma linhagem familiar. Além disso, a flor de crisântemo de 16 pétalas simboliza a Casa Imperial, refletindo sua dignidade e importância ao longo dos séculos.
Apesar de ocupar o mais alto posto hierárquico, o imperador nem sempre exerceu poder absoluto. Durante séculos, clãs poderosos, como Fujiwara, Hojo, Minamoto e Tokugawa, governaram o Japão como regentes e xoguns, sempre com o reconhecimento e a legitimação do imperador. Por essa razão, mesmo sem atuar diretamente na política, a figura imperial permaneceu como o símbolo máximo da unidade nacional, garantindo estabilidade e continuidade ao longo das eras.
A transformação do papel do Imperador
A Restauração Meiji, em 1868, trouxe mudanças radicais para o sistema de governo. Com a queda do xogunato, o Imperador Meiji assumiu, pelo menos oficialmente, o comando político e militar do país. No entanto, o poder real foi exercido por oligarcas e, posteriormente, por primeiros-ministros e líderes militares. Dessa forma, o Japão passou por um período de intensa modernização, transformando-se em uma potência global.
No entanto, o cenário mudou drasticamente após a Segunda Guerra Mundial. Com a Constituição de 1946, promulgada no período pós-guerra, o papel do imperador foi totalmente redefinido. Desde então, ele passou a desempenhar apenas uma função simbólica, representando a unidade do povo japonês e participando de cerimônias e eventos diplomáticos, sem exercer qualquer poder político direto.
Atualmente, o trono japonês continua a ser um dos símbolos mais respeitados do país. Em 2019, o Imperador Naruhito ascendeu ao trono como 126º imperador do Japão, ao lado da Imperatriz Masako. Com isso, a monarquia japonesa segue como a mais antiga linhagem imperial ininterrupta do mundo, mantendo sua relevância histórica e cultural, mesmo sem o poder político de outrora.
O fascinante mundo dos Samurais: guerreiros e guardiões da honra no Japão Feudal
Os samurais, inicialmente, não eram guerreiros, eram servidores civis do império japonês. No começo, suas principais funções incluíam cobrar impostos e administrar terras, conhecidas como daimyō. Além disso, atuavam como guardiões da ordem, especialmente em tempos de revoltas camponesas. Somente homens exerciam esse papel, já que exigia força física e habilidades básicas de alfabetização.
No entanto, essa função administrativa começou a se transformar com o passar dos séculos. Durante o Período Heian, o império iniciou campanhas militares para subjugar o povo Emishi, que habitava a região de Tohoku, no norte do Japão. Ao mesmo tempo, os proprietários de terras começaram a contratar guerreiros para proteger seus territórios, acelerando a transição dos samurais para uma classe militar especializada.
O código de honra e a ascensão da classe samurai
Entre os séculos IX e XII, os samurais passaram a seguir um código de conduta rígido: o Bushidô, ou “caminho do guerreiro”. Esse código estabelecia os princípios fundamentais que guiavam suas vidas, como frugalidade, disciplina, lealdade inabalável, coragem extrema, excelência no manuseio da katana (espada) e uma honra que deveria ser mantida a qualquer custo.
Para um samurai, a honra era mais importante do que a própria vida. Por isso, caso fossem derrotados ou desonrados, a única maneira de preservar sua dignidade era através do suicídio ritual, conhecido como harakiri ou seppuku. Esse ritual envolvia um corte profundo e doloroso no abdômen, seguido por uma decapitação rápida feita por um assistente de confiança. Dessa forma, o ato representava a expressão máxima do Bushidô, demonstrando coragem e autocontrole até o último instante.
Durante o Período Sengoku (séculos XV e XVI), o Japão entrou em uma fase de intensos conflitos, com o país dividido em estados independentes em constante guerra. Nesse cenário, os samurais estavam em alta demanda, e os ninjas, especialistas em guerra não convencional e espionagem, também se tornaram figuras estratégicas. Muitos filmes clássicos de Akira Kurosawa retratam essa era tumultuada, imortalizando a imagem dos samurais como guerreiros destemidos.
Os samurais na unificação do Japão e no Período Meji
No final do século XVI, com a unificação do Japão, os samurais consolidaram sua posição no topo do rígido sistema de castas do Período Edo. No entanto, como essa foi uma época de relativa paz, muitos samurais tiveram que se reinventar, tornando-se burocratas, professores ou artistas para se adequarem às novas demandas sociais.
Com a Restauração Meiji em 1868, a era feudal chegou ao fim, e a classe samurai foi oficialmente abolida. Apesar disso, seu legado permanece vivo na cultura japonesa, simbolizando honra, disciplina e tradição. Até os dias de hoje, o espírito samurai inspira artes marciais, literatura, cinema e a identidade cultural do Japão.
O mundo dos Ninjas: guerreiros da sombra
Os ninjas, também conhecidos como shinobi, representam uma das figuras mais intrigantes e enigmáticas da história japonesa. Seu nome, que significa “aqueles que agem furtivamente”, reflete suas habilidades únicas em guerra não convencional, infiltração, sabotagem e assassinato. Dessa forma, suas táticas contrastavam diretamente com o rígido código de honra dos samurais, o Bushidô.
Para dominar essas técnicas, os ninjas se especializavam no ninjutsu, ou “a arte da furtividade”. Esse treinamento abrangia diversas áreas, como combate armado e desarmado, estratégia militar, técnicas com armas, meteorologia, geometria e controle da respiração. Além disso, o ninjutsu não era ensinado de forma aberta, mas sim transmitido secretamente dentro de famílias ou entre mestres e discípulos selecionados. Como resultado, esse sigilo ajudou a criar o misticismo em torno dos ninjas, alimentando diversas lendas e exageros ao longo dos séculos.
A ascensão e o declínio dos Ninjas
A história dos ninjas remonta ao século XI, quando os habitantes das regiões de Iga e Koka começaram a ganhar fama por suas habilidades em táticas de guerrilha. Localizadas próximas ao centro político de Kyoto, essas regiões eram isoladas e protegidas por terrenos acidentados, tornando-se refúgios naturais para bandidos, refugiados e grupos derrotados em batalhas.
Com o tempo, as comunidades locais desenvolveram técnicas para autodefesa, e suas habilidades passaram a ser altamente valorizadas. Por isso, durante a Era dos Estados em Guerra (séculos XV e XVI), os ninjas foram amplamente contratados como mercenários. Nesse período de instabilidade, desempenharam papéis fundamentais na conquista de castelos e em batalhas estratégicas, atingindo o auge de sua influência.
Entretanto, com o estabelecimento da paz durante o Período Edo (século XVII), a demanda por ninjas começou a diminuir. Ainda assim, o Xogunato Tokugawa continuou a utilizá-los, principalmente como espiões para monitorar senhores regionais e proteger o Castelo Edo.
A partir desse momento, os ninjas passaram a ser romantizados na cultura popular. Inicialmente, peças de kabuki começaram a exagerar suas habilidades, criando figuras quase sobrenaturais. Mais tarde, essas representações foram exportadas para o Ocidente, ajudando a moldar a visão cinematográfica que muitos têm dos ninjas hoje.
O calendário japonês: entre a tradição e a modernidade
Em 1873, o Japão adotou o calendário gregoriano, alinhando-se ao sistema utilizado pela maior parte do mundo ocidental. Antes dessa mudança, os japoneses utilizavam calendários lunares, importados da China. Apesar da adoção do calendário solar, algumas tradições do calendário lunar permanecem presentes na cultura japonesa. Um exemplo marcante é a associação dos anos aos doze animais do zodíaco: rato, vaca, tigre, coelho, dragão, cobra, cavalo, ovelha, macaco, galo, cachorro e porco. Essa prática continua influente, especialmente em celebrações como o Ano Novo.
Outra herança do calendário lunar é a divisão dos dias em seis categorias conhecidas como rokuyo. Cada uma está relacionada a diferentes níveis de sorte:
- Taian: O dia mais auspicioso, ideal para casamentos e negócios.
- Butsumetsu: Considerado o dia menos auspicioso, muitas vezes evitado para eventos importantes.
- Senpu, Tomobiki, Shakko e Sensho: Cada um com suas próprias interpretações de boa ou má sorte.
Xintoísmo: a religião do Caminho dos Deuses
O Xintoísmo, ou “o caminho dos deuses”, é a religião nativa do Japão, tão antiga quanto a própria história do país. Ao lado do budismo, continua sendo a principal religião do Japão, profundamente enraizada nas tradições e na cultura do povo japonês. Sem um fundador definido ou escrituras sagradas, o Xintoísmo não faz uso de pregações ou propagandas; ele se manifesta na vida cotidiana e nos rituais que moldam a identidade japonesa.
No Xintoísmo, os “deuses” são conhecidos como kami, espíritos sagrados que se manifestam em elementos da natureza, como montanhas, rios, árvores, e até conceitos como fertilidade. Após a morte, os humanos também podem se tornar kami, sendo reverenciados por suas famílias. Alguns kami, especialmente aqueles de pessoas notáveis, chegam a ser consagrados em santuários.
Diferente das religiões monoteístas, o Xintoísmo não lida com absolutos de certo ou errado. É uma fé otimista que acredita na bondade intrínseca do ser humano, considerando o mal como resultado da influência de espíritos malignos. Por isso, os rituais xintoístas se concentram em purificação, orações e oferendas aos kami, buscando afastar esses espíritos.
O papel dos santuários e rituais na vida cotidiana
Os santuários, conhecidos como jinja, são os locais de culto xintoístas e as moradias dos kami. Dentro deles, objetos sagrados que representam os kami se guardam em câmaras internas e raramente vistos. Em alguns casos, elementos naturais como montanhas ou cachoeiras se consideram objetos de adoração. Os santuários atraem visitantes que buscam boa sorte, proteção ou bênçãos específicas, como saúde, sucesso nos negócios ou segurança no trânsito.
Além disso, os santuários desempenham um papel importante na vida de muitas pessoas, desde a apresentação de recém-nascidos aos kami até cerimônias de casamento no estilo xintoísta. No entanto, o Xintoísmo evita lidar com a morte, considerada fonte de impureza, delegando essa tarefa ao Budismo, responsável pela maioria dos funerais no Japão.
No período Meiji (1868–1912), o Xintoísmo se eleva ao status de religião oficial, usado como base para promover uma identidade nacional centrada no imperador. Após a Segunda Guerra Mundial, no entanto, o Xintoísmo se separa do Estado, retornando a uma prática mais comunitária e individual.
Hoje, o Xintoísmo é uma combinação de tradições antigas e práticas modernas. Ele preserva elementos da arte, como o teatro Noh e a música gagaku, enquanto continua a influenciar a vida cotidiana dos japoneses com talismãs, cerimônias e festivais.
O Xintoísmo não é apenas uma religião; é um reflexo da harmonia do Japão com a natureza e sua rica herança cultural. Os santuários e rituais xintoístas continuam sendo uma experiência fascinante para quem visita o Japão.
O Budismo no Japão: uma jornada milenar
O Budismo teve sua origem na Índia no século VI a.C., com os ensinamentos do Buda, Gautama Siddhartha. No Japão, o ramo que ganhou destaque foi o Budismo Mahayana, também chamado de “Veículo Maior”. De fato, ele chegou ao arquipélago no século VI por meio da China e da Coreia, trazido como um presente do reino coreano de Kudara (Paikche), que mantinha boas relações com o Japão.
Embora inicialmente adotado pelos nobres como a nova religião estatal, o Budismo enfrentou desafios para se popularizar entre as pessoas comuns devido à complexidade de suas doutrinas. Assim, conflitos iniciais com o Xintoísmo, a religião nativa do Japão, foram inevitáveis, mas, com o tempo, as duas tradições aprenderam a coexistir e até a se complementar.
Durante o Período Nara, mosteiros budistas como o famoso Todaiji, em Nara, tornaram-se centros de grande influência política, tanto que o governo decidiu transferir a capital para evitar essa interferência, primeiro para Nagaoka em 784 e depois para Quioto em 794. Mesmo assim, a ambição política e o poderio dos mosteiros continuaram a ser um desafio ao longo dos séculos.
Nos primeiros anos do Período Meiji, o novo governo promoveu o Xintoísmo como religião oficial e fez esforços para separar e enfraquecer o Budismo. Atualmente, cerca de dois terços da população japonesa se identificam como budistas. No entanto, a religião tem um impacto limitado na vida cotidiana do japonês médio.
A culinária japonesa: um mundo de sabores únicos
A culinária japonesa, conhecida como washoku, é uma verdadeira celebração da cultura, sazonalidade e regionalidade do Japão, com uma incrível variedade de pratos, que vão desde o tradicional arroz até sofisticadas especialidades. Os pratos característicos são:
- Arroz: Base da alimentação por mais de 2.000 anos, o arroz continua sendo o principal ingrediente das refeições japonesas.
- Peixes e frutos do mar: Frescos ou preparados de inúmeras formas, são uma parte indispensável da dieta japonesa, com destaque para o sushi e o sashimi.
- Pratos de carne e soja: Ingredientes como tofu, missô e carnes aparecem em pratos icônicos como tonkatsu e sopa de missô.
- Noodles: Variedades como ramen, soba e udon são comuns em diferentes preparos e estações.
- Pratos de panela (nabe): Populares no inverno, incluem opções como sukiyaki e shabu-shabu.
- Doces tradicionais (wagashi): Feitos para acompanhar o chá verde, destacam-se os mochi, dorayaki e taiyaki.
O saquê, ou nihonshu (como se chama no Japão para diferenciá-lo de “saquê”, que também pode significar álcool em geral), é uma bebida alcoólica feita de arroz fermentado e profundamente enraizada na cultura japonesa. Seja em cerimônias religiosas, celebrações ou jantares casuais, o saquê está sempre presente como um símbolo de hospitalidade e tradição.
Popular em todo o Japão, o saquê se serve em diversos tipos de restaurantes e bares, variando de izakayas locais a estabelecimentos mais sofisticados. Sua versatilidade o torna ideal para acompanhar diferentes pratos. Seja quente ou frio, em taças modernas ou nos tradicionais copos de cerâmica, degustar o saquê é sempre uma experiência única e uma porta de entrada para a rica cultura japonesa.
A viagem: metrópoles vibrantes, cidades imperiais, cultura milenar e gastronomia
Optamos por fazer essa viagem por conta própria, aproveitando a malha ferroviária japonesa. Para isso, adquirimos o Japan Rail Pass para 14 dias, que compramos antecipadamente em um dos diversos sites que oferecem o passe. Esse passe permite viajar de forma ilimitada em trens da rede JR (Japan Railways) durante o período de validade, incluindo alguns trens bala (shinkansen). No entanto, é importante avaliar se ele será vantajoso para o seu roteiro, pois dependerá da frequência e da distância das viagens de trem que você planeja fazer. No nosso caso, viajamos bastante entre cidades, então o passe foi extremamente útil.
Para deslocamentos internos nas cidades, utilizamos o cartão Pasmo, que estava disponível no momento. Ele funciona de forma semelhante ao Suica, ambos sendo recarregáveis e aceitos em metrôs, ônibus e até em algumas lojas de conveniência. Em Tóquio e outras cidades que visitamos, o Pasmo foi indispensável para facilitar o uso do transporte público. Além disso, se recarrega facilmente em qualquer estação, o que o torna uma solução prática para quem quer explorar as cidades sem complicações.
Nossa viagem pelo Japão
Começamos nosso roteiro pelo Japão na vibrante capital, Tóquio, onde passamos cinco dias explorando tanto o lado moderno quanto o tradicional da cidade. Visitamos ícones como o bairro de Shinjuku, famoso por suas luzes neon, e Asakusa, onde se encontra o histórico templo Senso-ji. Aproveitamos também para fazer um bate-volta ao Monte Fuji para contemplar um dos símbolos mais icônicos do Japão.
De Tóquio, seguimos para Takayama, uma charmosa cidade histórica localizada nos Alpes Japoneses, conhecida por suas ruas bem preservadas do período Edo.
Nossa próxima parada foi Kanazawa. Aqui, exploramos o belíssimo jardim Kenroku-en, considerado um dos mais belos do Japão. Também visitamos o distrito de samurais Nagamachi e o bairro de gueixas Higashi Chaya, onde é possível vivenciar um pouco do Japão tradicional.
Depois, chegamos a Kyoto, um verdadeiro tesouro histórico e cultural, mergulhando em templos icônicos como o Kinkaku-ji (Pavilhão Dourado) e o Fushimi Inari-taisha, famoso por seus milhares de tóris vermelhos. Além disso, fizemos um bate-volta a Nara, onde conhecemos o grandioso templo Todai-ji e passeamos pelo Parque de Nara, com seus simpáticos cervos que caminham livremente.
Em seguida, seguimos para Osaka, uma metrópole moderna e vibrante. De fato, o Castelo de Osaka foi o ponto alto da visita, uma joia histórica em meio à paisagem urbana.
Nossa próxima parada foi Kobe, uma cidade cosmopolita famosa por sua carne bovina de alta qualidade. Além de saborear a renomada carne de Kobe, exploramos a área portuária e visitamos o charmoso bairro Kitano, com suas casas em estilo ocidental.
Para encerrar nosso roteiro, visitamos Hiroshima e a ilha de Miyajima. Assim, em Hiroshima, conhecemos o Parque Memorial da Paz, uma experiência impactante. Já em Miyajima, ficamos encantados com o famoso Torii flutuante do santuário Itsukushima.
Nosso roteiro no Japão
Essa viagem está dividida em vários posts que detalham cada etapa dessa aventura. Confira os links para explorar todos os destinos:
- Japão I – Tóquio: Shinjuku e Shibuya
- Japão II – Tóquio: Chiyoda, Ueno, Akihabara e Roppongi
- Japão III – Tóquio: Sumida, Asakusa e Odaiba
- Japão IV – Tóquio: Shiba, Chuo e Ginza
- Japão V – Monte Fuji
- Japão VI – Takayama: Old Town
- Japão VII – Takayama: Higashiyama Walking Course e Hida Folk Village
- Japão VIII – Kanazawa: Kenrokuen Garden e Kanazawa Castle
- Japão IX – Kanazawa: Nagamachi Samurai District, Nishi Chaya District e Higashi Chaya District
- Japão X – Kyoto: Palácios Imperiais, Castelo Nijo, Pavilhão Dourado, Templo Toji e Torre de Kyoto
- Japão XI – Kyoto: Fushimi Inari, Higashiyama e Gion
- Japão XII – Kyoto: Arashiyama e Estação de Kyoto
- Japão XIII – Nara