4º dia – Chegada a Liechtenstein: roteiro por Vaduz, Balzers e Schaan
Depois dos primeiros dias em Zurique, seguimos para Liechtenstein, o segundo país da viagem. Esse foi também o primeiro dia em que ativamos o Swiss Travel Pass e começamos a usar o passe nos deslocamentos de trem. Saímos de Zürich HB em direção a Sargans Bahnhof, em um trajeto de aproximadamente 1h15.
Ao chegar a Sargans, pegamos o ônibus para Vaduz, capital de Liechtenstein. Para esse trecho, usamos o WELCOME Adventure Pass, que dava acesso ao transporte público da rede local durante a estadia no principado. A viagem de ônibus até Vaduz Post durou cerca de 35 minutos.

Já em Vaduz, seguimos para o Hotel Gasthof Löwen, onde fizemos o check-in. O hotel foi uma das boas surpresas dessa etapa da viagem: pequeno, histórico, muito bem cuidado e com um ambiente bastante silencioso. Além disso, naquele momento, estávamos sozinhos no hotel, o que deixou a experiência ainda mais diferente.

Depois de deixar as malas e conhecer um pouco o hotel, saímos para começar as primeiras visitas por Vaduz.
Vaduz
Vaduz é a capital de Liechtenstein e uma das menores capitais da Europa. A cidade tem cerca de 6 mil habitantes e ocupa uma área de aproximadamente 17 km², às margens do Rio Reno, perto da fronteira com a Suíça.
Apesar de ser a capital do principado, Vaduz não tem o ritmo nem a aparência de uma grande cidade. Pelo contrário, a sensação é de estar em uma localidade pequena, organizada e silenciosa, com ruas tranquilas, poucos prédios altos e montanhas sempre presentes na paisagem.
Mesmo assim, Vaduz concentra as principais funções políticas do país. É ali que ficam as autoridades nacionais, o parlamento e a residência principesca, o que dá à cidade uma importância muito maior do que seu tamanho sugere.
Um pouco da história de Vaduz
O nome Vaduz aparece em documentos desde 1150. Mais tarde, em 1342, foi criado o Condado de Vaduz, formado a partir da divisão dos territórios de Sargans-Werdenberg. Esse condado teria um papel essencial na formação do atual Principado de Liechtenstein.
Em 1712, o príncipe Johann Adam de Liechtenstein comprou o Condado de Vaduz. Sete anos depois, em 1719, Vaduz foi unido ao Senhorio de Schellenberg, dando origem ao Principado. Desde então, a cidade passou a ocupar uma posição central na história política de Liechtenstein.
A cidade também tem uma ligação tradicional com a produção de vinho. Antes de se tornar um centro administrativo e financeiro, Vaduz era uma antiga localidade agrícola, conhecida também por seus vinhedos.
Castelo de Vaduz: subida, mirantes e a residência principesca
A primeira visita em Vaduz foi a subida pelo Schlossweg, o caminho que liga a área central da cidade ao Castelo de Vaduz. O percurso é curto, mas todo em subida, passando por áreas verdes, vinhedos e pontos com vista para a capital de Liechtenstein.
Ao longo do caminho, há painéis informativos sobre a história do país e da família principesca. Também aparecem alguns mirantes, como o Känzile, de onde se tem uma vista ampla de Vaduz, do Vale do Reno e das montanhas ao redor. Para mim, essa subida foi uma das partes mais bonitas da visita à cidade, justamente pela combinação entre o caminho tranquilo, as paisagens e a vista do castelo se aproximando aos poucos.


O Castelo de Vaduz fica em uma posição elevada, cerca de 120 metros acima da capital, e é o principal símbolo do principado. Suas origens provavelmente remontam ao século XII, embora a primeira menção documentada ao castelo seja de 1322. Ao longo dos séculos, ele passou por diferentes famílias nobres e, em 1712, a Casa de Liechtenstein o adquiriu.


Depois de um período de deterioração, restauraram o castelo no início do século XX. Mais tarde, o príncipe Franz Josef II mandou adaptar o edifício para uso residencial e, em 1939, passou a morar ali com sua família. Desde então, o Castelo de Vaduz é a residência permanente da família principesca.
Por esse motivo, o interior do castelo não se visita. Mesmo assim, a caminhada pelo Schlossweg, os mirantes durante a subida e a vista externa do Castelo de Vaduz fazem o passeio valer a pena.
Descida do Castelo de Vaduz: vinhedos, vistas e o Rotes Haus
Depois de visitar a área externa do Castelo de Vaduz, começamos a descer de volta em direção ao centro da cidade. A descida foi tão interessante quanto a subida, porque o caminho passa por uma parte mais alta de Vaduz, com vinhedos, casas tradicionais e várias aberturas com vista para o vale e para as montanhas.


Durante a descida, passamos pelo Rotes Haus, ou Casa Vermelha, um dos edifícios históricos mais conhecidos de Vaduz. A construção data de 1338 e chama atenção pela fachada vermelha, pelo frontão em degraus e pela torre residencial de pedra. A cor vermelha, que dá nome ao edifício, é registrada desde meados do século XIX.

O Rotes Haus teve diferentes proprietários ao longo dos séculos, incluindo o Mosteiro de St. Johann. Desde 1807, pertence à família Rheinberger. Hoje, o edifício é propriedade privada e não está aberto à visitação, mas vale passar por ali para ver a construção por fora e aproveitar as vistas da parte alta de Vaduz.
Städtle: o centro de Vaduz
Depois da descida do Castelo, seguimos para o Städtle, a área central e mais movimentada de Vaduz. O nome significa algo próximo de “pequena cidade” e combina bem com a escala da capital de Liechtenstein.
Essa é a parte mais turística da cidade, com lojas, restaurantes, esculturas ao ar livre, bandeiras, museus e edifícios públicos. Mesmo assim, o movimento era bem tranquilo, sem aquela sensação de centro cheio ou agitado.

Durante a caminhada, passamos pelo Rathaus, a prefeitura de Vaduz. O edifício foi construído entre 1932 e 1933 e hoje abriga a administração municipal. A fachada chama atenção pelos detalhes decorativos e pelo contraste com a praça ampla à frente, de onde ainda é possível ver o Castelo de Vaduz no alto da montanha.


Peter-Kaiser-Platz: a praça governamental de Vaduz
Depois do Städtle, seguimos para a Peter-Kaiser-Platz, uma das áreas mais importantes de Vaduz do ponto de vista político pois reúne alguns dos principais edifícios institucionais de Liechtenstein.
O nome da praça homenageia Peter Kaiser, historiador e político liechtensteinense do século XIX, que teve papel importante na construção da identidade nacional do principado. A área funciona como uma continuação da zona de pedestres de Vaduz e marca a transição entre o centro turístico e a parte mais institucional da capital.
Ali fica o Regierungsgebäude, o edifício do Governo de Liechtenstein, construído entre 1903 e 1905. O prédio tem uma aparência mais clássica e contrasta com as construções contemporâneas próximas, como o Parlamento e os arquivos do Estado.


Também passamos pelo Monumento Rheinberger, dedicado ao compositor Josef Gabriel von Rheinberger, nascido em Vaduz em 1839.
Kathedrale St. Florin: a catedral de Vaduz
Passamos também pela Kathedrale St. Florin, ou Catedral de São Florim, principal igreja católica de Vaduz. A construção atual foi erguida entre 1872 e 1874, em estilo neogótico, no local onde antes existia uma antiga capela dedicada a São Florim. A igreja foi projetada pelo arquiteto Friedrich von Schmidt, também ligado a obras importantes em Viena, e se destaca pela torre alta de pedra, visível a partir de vários pontos do centro.
Originalmente, a igreja era apenas a paróquia de Vaduz. Em 1997, com a criação do Arcebispado de Vaduz, ela foi elevada à condição de catedral. Por isso, apesar do tamanho discreto da cidade, a igreja tem uma importância religiosa central para Liechtenstein.

Do lado de fora, chama atenção também o monumento com os bustos do príncipe Franz Josef II e da princesa Gina de Liechtenstein, colocados em frente à catedral. O conjunto reforça a ligação entre a igreja, a família principesca e a história recente do país.
Alte Rheinbrücke: a ponte entre Liechtenstein e Suíça
Depois de caminhar pelo centro de Vaduz, seguimos até a Alte Rheinbrücke, a antiga ponte coberta de madeira sobre o Rio Reno. A ponte liga Vaduz, em Liechtenstein, ao município suíço de Sevelen, funcionando como uma passagem histórica entre os dois países.
A ponte atual foi concluída em 1901 e tem 135 metros de extensão. Sua estrutura de madeira coberta chama atenção justamente por ser diferente das pontes modernas da região. Hoje, ela é usada por pedestres e ciclistas. Um dos pontos mais interessantes da visita é a placa que marca a divisão entre Liechtenstein e Suíça dentro da própria ponte. De um lado está o principado; do outro, o território suíço.


Do lado externo, a paisagem também é muito bonita, com o Rio Reno, a ponte de madeira e as montanhas ao fundo.
Depois das visitas por Vaduz, pegamos um ônibus em direção a Balzers, no sul de Liechtenstein. O deslocamento foi simples e feito com transporte público local, usando o WELCOME Adventure Pass que já tínhamos para circular pelo Principado.
Balzers
Balzers é a comuna mais ao sul de Liechtenstein, próxima à fronteira com a Suíça. A cidade fica a cerca de 472 metros de altitude e conta com aproximadamente 4.800 habitantes.
Apesar de pequena, Balzers tem uma paisagem muito marcante. O grande destaque visual é o Castelo de Gutenberg, localizado sobre uma colina no meio da localidade.
Historicamente, a Balzers atual resulta da união de duas antigas aldeias: Balzers, a leste, e Mäls, a oeste. Para quem visita rapidamente, essa divisão não é tão evidente, mas ela ainda aparece na identidade local e em algumas tradições da comunidade. O nome da localidade aparece em documentos pela primeira vez em 842, como Palazoles, termo derivado do latim palatiola, que significa “pequeno palácio”.
Castelo de Gutenberg: história, subida e vistas de Balzers
O principal ponto de interesse de Balzers é o Castelo de Gutenberg, que fica no alto de uma colina rochosa no meio da cidade. A subida é curta, mas suficiente para mudar completamente a perspectiva da região: aos poucos, as casas ficam abaixo, o vale se abre e as montanhas passam a dominar a paisagem.

O castelo medieval surgiu provavelmente por volta de 1200. A partir do fim do século XIII, pertenceu aos barões de Frauenberg e, entre 1314 e 1824, ficou sob domínio dos Habsburgo. Durante esse período, cercaram a fortaleza em diferentes conflitos, incluindo a Guerra da Suábia, em 1499, e episódios ligados à Guerra dos Trinta Anos, entre 1618 e 1648, mas resistiu.


Depois de 1750, abandonaram o Castelo e foi se deteriorando até virar ruína. Assim, a recuperação veio apenas no início do século XX, quando o arquiteto, escultor e pintor Egon Rheinberger comprou a construção em 1905 e promoveu uma grande reconstrução, responsável em boa parte pela aparência atual do conjunto. Desde 1979, o Castelo de Gutenberg pertence ao Estado de Liechtenstein.
Jubiläumskirche: a igreja paroquial de Balzers
Depois da visita ao Castelo de Gutenberg, também passamos pela igreja paroquial de Balzers, oficialmente chamada Pfarrkirche St. Nikolaus. Ela fica aos pés da colina do castelo e aparece em várias vistas da cidade, especialmente quando se observa Balzers do alto.


A igreja atual se construiu entre 1909 e 1912, em estilo neorromânico, segundo projeto do arquiteto Gustav Ritter von Neumann, ligado à corte principesca. A construção está dedicada a São Nicolau e São Martinho e substituiu uma igreja anterior da localidade.
O edifício também se conhece como Fürst-Johann-Jubiläumskirche, ou Igreja do Jubileu do Príncipe Johann, porque se associa ao jubileu de 50 anos de governo do príncipe Johann II de Liechtenstein. De fato, O próprio príncipe contribuiu de forma importante para a construção, financiando parte significativa da obra.
Além da importância religiosa, a igreja tem um papel urbano interessante em Balzers. De fato, ela foi construída entre os antigos núcleos de Balzers e Mäls, ajudando a marcar uma área central entre as duas localidades históricas que formam a comuna atual.
Depois da visita ao Castelo de Gutenberg e à Jubiläumskirche, descemos novamente para a região central de Balzers e pegamos um ônibus em direção a Schaan.
Schaan
Embora Vaduz seja a capital, Schaan é a comuna mais populosa do país, com cerca de 6,3 mil habitantes. Diferente de Vaduz, que concentra o papel político e institucional de Liechtenstein, Schaan tem uma função mais econômica e prática. A cidade é um importante polo industrial, comercial e de transportes do país.
A história de Schaan é muito antiga. Descobertas arqueológicas indicam que a região é habitada há mais de 6 mil anos. No período romano, a área ganhou importância por causa das rotas que passavam pelo Vale do Reno e pela antiga província da Récia, criada após a conquista romana do território em 15 a.C.
Uma característica interessante da formação de Schaan é a existência de dois núcleos históricos. De um lado estava a área de São Pedro, ligada à população récio-romana cristianizada. Do outro, a região de Specki, associada à ocupação alamânica.
St. Laurentiuskirche: a igreja paroquial de Schaan
Em Schaan, passamos pela St. Laurentiuskirche, ou Igreja de São Lourenço, a principal igreja paroquial da cidade. A igreja atual foi consagrada em 1893 e construída cerca de 200 metros ao sul da antiga igreja paroquial. O projeto é do arquiteto vienense Gustav von Neumann, que trabalhava a serviço da família principesca de Liechtenstein.

O edifício segue o estilo neogótico e se destaca principalmente pela torre de 81 metros, visível a partir de vários pontos do Vale do Reno. Outro elemento importante é a fachada de pedra natural, considerada incomum para construções religiosas na época em que a igreja foi erguida.
Despois do dia de visitas, passamos em um supermercado de Schaan para comprar algumas coisas para o jantar, uma forma prática de economizar durante a viagem. Em seguida, retornamos de ônibus para o Hotel Gasthof Löwen, onde estávamos hospedados.
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