Brasil – Ceará I: Juazeiro do Norte

1º dia – Chegada a Juazeiro do Norte e visita à Colina do Horto

Nossa viagem pelo Cariri começou cedo. Saímos de Brasília às 4h25, com destino a Guarulhos. Chegamos ao Aeroporto de Guarulhos às 6h05. Depois de uma conexão de pouco mais de duas horas, embarcamos novamente. O segundo trecho durou quase 3 horas e pousamos no Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes de Juazeiro do Norte às 11h10.

Ao chegar ao Aeroporto de Juazeiro do Norte, também conhecido como Aeroporto Regional do Cariri, alugamos um carro na Localiza, que seria utilizado durante todo o roteiro pela região. Ter um veículo foi importante, pois a programação incluía atrações em diferentes cidades do Cariri e áreas da Chapada do Araripe.

Em seguida, fomos para o Hotel Encosta do Horto, onde ficaríamos hospedados durante a viagem. O hotel tinha boa infraestrutura e uma relação satisfatória entre qualidade e preço. No entanto, faltava manutenção em alguns pontos e nosso quarto tinha cheiro de mofo, o que prejudicou um pouco a experiência. Foi uma pena, porque, no geral, o hotel atendia bem ao que precisávamos.

Depois de deixar as malas e organizar o que levaríamos, saímos novamente para aproveitar o restante do dia. Nossa primeira parada em Juazeiro do Norte seria a Colina do Horto, onde começamos a conhecer alguns dos locais mais ligados à história e à religiosidade da cidade.

Juazeiro do Norte

Localizada no sul do Ceará, Juazeiro do Norte faz parte da Região Metropolitana do Cariri e está a cerca de 490 quilômetros de Fortaleza. Com pouco mais de 300 mil habitantes, é a maior cidade do interior cearense e forma, ao lado de Crato e Barbalha, o chamado Triângulo Crajubar, principal núcleo urbano e econômico da região.

Atualmente, Juazeiro do Norte funciona como um importante centro de comércio, saúde, educação e serviços. Além disso, a cidade recebe visitantes de diferentes partes do país, principalmente por causa das romarias e da forte devoção popular ao Padre Cícero.

De Tabuleiro Grande a Juazeiro do Norte

A origem da cidade remonta a 1827, quando o padre Pedro Ribeiro de Carvalho construiu uma capela dedicada a Nossa Senhora das Dores. O templo foi erguido próximo a um grande pé de juazeiro, árvore que posteriormente daria nome ao município. Ao redor da capela, surgiu o pequeno povoado de Tabuleiro Grande.

Entretanto, a transformação do povoado começou principalmente após a chegada de Padre Cícero Romão Batista, em 1872. O sacerdote passou a atuar diretamente na organização religiosa e social da comunidade, incentivando o trabalho, a produção artesanal e a prática dos sacramentos.

Em 1889, o episódio conhecido como Milagre da Hóstia aumentou ainda mais a projeção do povoado. Segundo os relatos dos fiéis, a hóstia recebida pela beata Maria de Araújo teria se transformado em sangue. Embora a Igreja Católica não tenha reconhecido o acontecimento como milagre, a notícia se espalhou pelo Nordeste e atraiu um número crescente de peregrinos.

Emancipação e crescimento da cidade

Com o aumento da população, do comércio e das atividades religiosas, Tabuleiro Grande passou a disputar importância com o Crato, município ao qual pertencia. Em 1911, o povoado conquistou sua emancipação e passou a se chamar Juazeiro, tendo Padre Cícero como primeiro prefeito.

Posteriormente, em 1943, o município adotou o nome atual de Juazeiro do Norte. Desde então, a cidade continuou crescendo ao redor da religiosidade popular, do comércio e das romarias, tornando-se um dos principais centros de peregrinação do Brasil.

Colina do Horto: fé, peregrinação e memória de Padre Cícero

Para chegar à parte alta da Colina do Horto, utilizamos o Teleférico do Horto. Inaugurado em 2023, ele liga a estação Monsenhor Murilo de Sá Barreto, na parte baixa, à estação Beata Maria de Araújo, próxima às principais atrações. O percurso tem cerca de dois quilômetros e dura aproximadamente 10 minutos. Compramos os ingressos diretamente na bilheteria, mas também é possível adquiri-los pela internet. Todo o espaço estava muito bem organizado, desde a compra até o embarque, e o teleférico realmente oferece uma estrutura muito boa, com cabines confortáveis e um percurso tranquilo.

Além de facilitar o acesso, o trajeto oferece boas vistas da vegetação e da área urbana. Quando chegamos ao alto, seguimos até o mirante, de onde conseguimos observar grande parte de Juazeiro do Norte e, ao fundo, a Chapada do Araripe.

Estátua de Padre Cícero

Em seguida, fomos até a Estátua de Padre Cícero, um dos principais símbolos de Juazeiro do Norte. O monumento foi inaugurado em 1969 e possui 27 metros de altura. A obra, esculpida por Armando Lacerda, foi construída em uma área utilizada pelo sacerdote durante seus retiros espirituais. A estátua está sobre uma base elevada, acessível por uma longa escadaria.

Estátua de Padre Cícero na Colina do Horto, em Juazeiro do Norte.

Também conhecemos uma tradição mantida pelos romeiros: passar por baixo do cajado da estátua e dar sete voltas ao redor dele, fazendo pedidos ou agradecendo graças alcançadas. Nós seguimos o ritual e também completamos as sete voltas.

Museu Vivo de Padre Cícero

Próximo à estátua está o Museu Vivo de Padre Cícero, instalado no antigo Casarão do Horto. Inaugurado em 1999, o espaço apresenta cenas da vida do sacerdote por meio de figuras em tamanho real.

Fachada azul do Museu Vivo de Padre Cícero, na Colina do Horto.

Durante a visita, passamos por ambientes que mostram Padre Cícero tomando café com amigos, trabalhando em seu gabinete, rezando e descansando em uma rede. Há também uma representação ao lado da beata Maria de Araújo, personagem central do episódio conhecido como Milagre da Hóstia. Além das ambientações, o museu reúne fotografias, informações sobre a trajetória do padre e diversos ex-votos deixados pelos fiéis.

Igreja Bom Jesus do Horto

Depois, conhecemos a Igreja Bom Jesus do Horto, cuja construção estava relacionada a um antigo desejo de Padre Cícero. As primeiras obras começaram no início do século XX, mas foram interrompidas durante os conflitos entre o sacerdote e a Igreja Católica. O templo permaneceu inacabado por mais de um século e acabou recebendo o apelido popular de Igreja do Fim do Mundo. Finalmente, a igreja foi concluída e dedicada em fevereiro de 2024.

Interior da Igreja Bom Jesus do Horto com grandes vitrais coloridos e bancos de madeira.

Por dentro, o destaque fica para os grandes vitrais coloridos, que ocupam boa parte das paredes e representam passagens religiosas. A entrada de luz através dos painéis modifica o ambiente interno e valoriza a arquitetura do templo.

Trilha do Santo Sepulcro

A partir da Colina do Horto, seguimos pela Trilha do Santo Sepulcro, uma rota de peregrinação com terreno irregular e bastante pedregoso. O percurso possui cerca de dois quilômetros em cada sentido, totalizando aproximadamente quatro quilômetros de caminhada.

Ao longo da trilha, encontramos cruzeiros, inscrições nas pedras, pequenas capelas e outros elementos relacionados à religiosidade popular. Entre os pontos mais conhecidos estão a Pedra do Pecado, a Pedra da Escada e a Pedra da Coluna.

No final da caminhada, chegamos à Capela de Santa Edwiges, uma pequena construção cercada por árvores e grandes blocos de pedra. Nas proximidades também há um mirante natural, de onde tivemos uma vista aberta das serras, dos vales e da vegetação do Cariri.

Luzeiro do Sertão: símbolo de fé e religiosidade em Juazeiro do Norte

Depois de descermos da Colina do Horto pelo teleférico, aproveitamos para conhecer o Luzeiro do Sertão, localizado entre o morro e a área urbana de Juazeiro do Norte.

Luzeiro do Sertão, monumento de 113 metros de altura em Juazeiro do Norte.

Inaugurado em 2005, o monumento possui 113 metros de altura e foi construído com mais de 250 toneladas de aço. Sua estrutura representa um grande candeeiro e simboliza a religiosidade que marca a história da cidade e a devoção a Padre Cícero. A visita é rápida, pois o principal destaque é observar a dimensão do monumento. Mesmo visto de longe, ele chama a atenção pela altura e pode ser identificado em diferentes pontos de Juazeiro do Norte.

Depois dessas visitas, retornamos ao Hotel Encosta do Horto para descansar. Como havíamos saído de Brasília ainda de madrugada e passado boa parte do dia entre voos, conexão e deslocamentos, já estávamos bastante cansados. Assim, encerramos ali nosso primeiro dia em Juazeiro do Norte.

3º dia/1 – Centro de Juazeiro do Norte

Antes de continuar o roteiro na ordem dos dias, vamos pular para o terceiro dia da viagem, quando voltamos a explorar Juazeiro do Norte. Deixamos o carro estacionado no centro e começamos a percorrer a pé os principais monumentos. Assim, conseguimos reunir nesta parte do post o restante das atrações que conhecemos na cidade.

Museu Padre Cícero: a última moradia do Padim

Nossa primeira parada no centro de Juazeiro do Norte foi o Museu Padre Cícero, instalado na casa onde o sacerdote viveu seus últimos meses, entre março e julho de 1934. Foi também nesse imóvel que ele morreu, em 20 de julho daquele ano, o que tornou o local especialmente importante para seus devotos e para a memória da cidade.

Museu Padre Cícero, instalado na antiga residência do sacerdote, na Rua São José, em Juazeiro do Norte.

Durante a visita, conhecemos diferentes ambientes da antiga residência e vimos objetos ligados à vida cotidiana de Padre Cícero. O acervo reúne louças, móveis, utensílios pessoais, peças utilizadas nas celebrações religiosas e outras doações de valor histórico. Assim, mais do que apresentar sua trajetória religiosa e política, o museu permite observar um lado mais íntimo do sacerdote, sendo a experiência da visita muito interessante.

Praça Padre Cícero: vida urbana no centro de Juazeiro

Depois da visita ao museu, seguimos caminhando até a Praça Padre Cícero, um dos espaços mais conhecidos do centro de Juazeiro do Norte. Inaugurada em 1925 pelo próprio Padre Cícero, que na época era prefeito da cidade, ela recebeu inicialmente o nome de Praça Almirante Alexandrino de Alencar. Posteriormente, passou a homenagear o sacerdote.

A praça é ampla, arborizada e cercada por lojas e outros estabelecimentos comerciais. Por isso, além de seu valor histórico, continua funcionando como um ponto de encontro bastante integrado à rotina da cidade.

Entre os destaques está a Coluna da Hora, com sua torre e o relógio histórico. O mecanismo foi construído pelo mestre relojoeiro Pelúsio Correia de Macedo entre 1929 e 1931 e pertenceu a Padre Cícero antes de ser doado ao município após sua morte.

Também encontramos um conjunto de esculturas em tamanho natural dedicado a três importantes personagens da história religiosa de Juazeiro: Padre Cícero, sentado no banco, Monsenhor Murilo de Sá Barreto e a Beata Maria de Araújo.

Alameda Juazeiro: gastronomia e lazer no centro da cidade

Logo ao lado da Praça Padre Cícero, passamos pela Alameda Juazeiro – Centro de Gastronomia Rita Araújo da Silva. O espaço funciona no antigo terminal intermunicipal da cidade e reúne pequenos estabelecimentos comerciais, lanchonetes e bares.

Alameda Juazeiro, centro gastronômico com bares e fachadas coloridas próximo à Praça Padre Cícero.

Quando estivemos ali, vários estabelecimentos ainda estavam fechados por causa do horário. Mesmo assim, foi possível observar a estrutura coberta, as fachadas coloridas e as mesas espalhadas pela alameda. À noite e nos fins de semana, o local costuma ficar mais movimentado, funcionando como uma opção de gastronomia e convivência no centro de Juazeiro do Norte. De fato, fomos lá jantar no dia anterior e estava bem movimentado.

Capela do Socorro: túmulo de Padre Cícero e um dos lugares mais simbólicos de Juazeiro

Depois, seguimos até a Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, mais conhecida como Capela do Socorro, localizada na praça de mesmo nome. Padre Cícero começou a planejar o templo por volta de 1905, junto com a criação de um novo cemitério para Juazeiro. As obras se iniciaram em 1906 e a capela foi construída entre 1908 e 1909, contando também com o apoio de Hermínia Gouveia, devota que teria feito uma promessa pela saúde do sacerdote.

Praça do Socorro diante da Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e do monumento dedicado a Padre Cícero, em Juazeiro do Norte.

Apesar de já estar pronta, a capela só recebeu a bênção oficial da Igreja em 17 de maio de 1932, após anos de conflitos e impasses com as autoridades eclesiásticas. Dois anos depois, em 21 de julho de 1934, sepultaram os restos mortais de Padre Cícero foram junto ao altar-mor, um dia após sua morte. Desde então, o local se tornou um dos principais pontos de peregrinação de Juazeiro do Norte, especialmente durante a Romaria de Finados e nas celebrações realizadas no dia 20 de cada mês. Outro detalhe interessante é que a Capela do Socorro é o único templo da cidade com vitrais que representam Padre Cícero e a Beata Maria de Araújo.

Antiga Estação Ferroviária de Juazeiro do Norte: memória do trem e da expansão da cidade

Continuando o passeio pelo centro, fomos até a antiga Estação Ferroviária de Juazeiro do Norte, um prédio histórico ligado ao período em que a chegada do trem ajudou a transformar a cidade em um importante ponto de circulação de pessoas e mercadorias no Cariri.

Antiga Estação Ferroviária de Juazeiro do Norte, prédio histórico que abriga um museu sobre a memória ferroviária da cidade.

No interior do edifício, visitamos o museu instalado na antiga estação, que reúne fotografias, objetos e outras peças relacionadas à história ferroviária da cidade. Além do valor histórico, o prédio chama a atenção pela arquitetura simples e funcional, preservando características das antigas estações ferroviárias do interior brasileiro.

Igreja dos Franciscanos: arquitetura monumental e um interior surpreendente

Em seguida, fomos conhecer o Santuário São Francisco das Chagas, mais conhecido como Igreja dos Franciscanos. Inaugurado em 1956, o templo se considera um dos maiores santuários franciscanos do Brasil, construído em estilo romano-lombardo, perceptível nos arcos, nas colunas e nos elementos decorativos de sua arquitetura.

Na parte externa, a igreja forma um conjunto monumental com a Praça das Almas. No centro da praça, uma grande torre sustenta a imagem de São Francisco de Assis, enquanto passarelas e arcos contornam o espaço, em uma composição inspirada na Praça de São Pedro, no Vaticano. Outra torre, com cerca de 45 metros de altura, abriga um relógio e oito sinos que tocam trechos do Hino a São Francisco.

Igreja dos Franciscanos e do monumento a São Francisco das Chagas, na Praça das Almas, em Juazeiro do Norte.

Entretanto, foi o interior que mais nos impressionou. A igreja é realmente muito bonita, com uma nave ampla, grandes arcos decorados, colunas robustas, vitrais coloridos e um teto trabalhado em padrões geométricos. Os tons de azul, verde, amarelo e vermelho criam uma combinação diferente.

Interior da Igreja dos Franciscanos, em Juazeiro do Norte, com arcos decorados, vitrais coloridos e teto trabalhado em padrões geométricos.

No altar-mor se encontra uma imagem de São Francisco das Chagas esculpida em Gênova, na Itália. Além disso, a altura da nave e a sucessão de arcos fazem com que o interior pareça ainda maior. Assim, foi uma das igrejas mais bonitas que conhecemos em Juazeiro do Norte.

Igreja dos Salesianos: um projeto inspirado em Roma

Depois, seguimos até o Santuário do Sagrado Coração de Jesus, conhecido popularmente como Igreja dos Salesianos. O templo começou a ser construído em 1949, sob a responsabilidade da congregação salesiana, e foi inaugurado em 1978, após quase três décadas de obras.

Igreja dos Salesianos, santuário de grandes dimensões com torres e cúpula em Juazeiro do Norte.

A construção está ligada a um antigo projeto de Padre Cícero. Segundo a tradição local, o sacerdote trouxe de Roma uma maquete que serviu de referência para a igreja. Por isso, sua arquitetura apresenta influências europeias, com uma fachada monumental, duas torres laterais, uma grande rosácea central e uma cúpula que se destaca na paisagem de Juazeiro do Norte.

Basílica Nossa Senhora das Dores: origem de Juazeiro e coração das romarias

A Basílica Santuário Nossa Senhora das Dores, também conhecida como Matriz de Juazeiro, ocupa um lugar central na história da cidade. Foi nesse local que surgiu o primeiro templo católico do antigo povoado de Tabuleiro Grande, em 1827.

Quando Padre Cícero se estabeleceu definitivamente no povoado, em 1872, passou a atuar na capela como seu sexto capelão. Poucos anos depois, em 1875, iniciou a construção de um templo maior, capaz de receber o número crescente de fiéis. A nova capela se inaugurou em 1884 e continuou sendo ampliada e reformada ao longo das décadas.

Ao longo do tempo, o templo ganhou ainda mais importância. A capela foi elevada à categoria de paróquia em 1917, e se tornou santuário diocesano em 2004, recebendo o título de Basílica Menor em 15 de setembro de 2008. Atualmente, é um dos principais pontos de concentração dos romeiros que visitam Juazeiro do Norte.

Basílica Santuário Nossa Senhora das Dores, junto à Praça dos Romeiros, em Juazeiro do Norte.

A fachada chama a atenção pela alta torre central, pelo relógio e pela representação de Nossa Senhora das Dores. Ao lado da basílica encontra-se a Praça dos Romeiros, inaugurada em 2011 para acolher os peregrinos e oferecer espaço para a comercialização de produtos regionais e artigos religiosos, sobretudo durante as grandes romarias.

Mesmo visitando este monumento em outro dia da viagem, colocamos aqui para completar todas as atrações que visitamos da cidade em um único post.

Depois de concluir as visitas em Juazeiro do Norte, almoçamos ali mesmo, em um restaurante no centro. Em seguida, voltamos ao local onde havíamos deixado o carro e seguimos para Crato, onde passamos a tarde conhecendo as principais atrações da cidade. Mas essa parte do roteiro contaremos em outro post.

Conheça o resto de nossa aventura pelo Cariri cearense nos links abaixo:

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